Alerta de Trump: Espaço Aéreo da Venezuela Fechado para Companhias Aéreas e Traficantes, Tensão Aumenta

Daniel V M

29 de novembro de 2025

Trump instrui companhias aéreas a considerarem espaço aéreo venezuelano fechado, intensificando pressão contra Maduro.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um pronunciamento direto através de sua rede social, Truth Social, neste sábado (29), instruindo companhias aéreas, pilotos, traficantes de drogas e traficantes de pessoas a considerarem o espaço aéreo acima e ao redor da Venezuela como totalmente fechado. A declaração representa um endurecimento da recomendação já existente pelo governo americano, que desde 21 de novembro alertava para o risco em sobrevoar a região.

A medida de Trump aumenta a especulação sobre uma possível ação iminente dos EUA contra o governo de Nicolás Maduro, que os Estados Unidos classificam como líder de uma organização narcoterrorista, o chamado Cartel de los Soles. Este argumento tem sido utilizado para justificar o aumento da presença militar americana no sul do Caribe.

O comunicado de Trump, que também é dono da plataforma Truth Social, foi enfático: “A todas as companhias aéreas, pilotos, traficantes de drogas e traficantes de pessoas: considerem o espaço aéreo acima e ao redor da Venezuela totalmente fechado. Obrigado a todos pela atenção a este assunto”. A informação foi divulgada pelo G1.

Recomendação de Cautela Ignorada e Reação de Caracas

Anteriormente, em 21 de novembro, o governo Trump já havia emitido um alerta para que companhias aéreas “exercessem cautela” e evitassem o espaço aéreo venezuelano. Na ocasião, a Administração Federal de Aviação (FAA) dos EUA citou o “agravamento da situação de segurança e o aumento da atividade militar na Venezuela e arredores” como motivos para o alerta, indicando que as ameaças poderiam representar riscos em todas as altitudes.

Essa recomendação levou diversas companhias aéreas a suspenderem voos para a Venezuela ou que cruzavam o espaço aéreo do país. Em resposta, o governo venezuelano, liderado por Nicolás Maduro, tomou a medida de revogar a licença de pelo menos seis companhias aéreas, incluindo TAP, Avianca, Turkish Airlines e Gol. Caracas acusou as empresas de “terem aderido às ações de terrorismo de Estado promovidas pelo governo dos EUA” e exigiu a retomada dos voos em até 48 horas.

Ofensivas Terrestres e Cerco Militar no Caribe

Na quinta-feira (27), Trump já havia sinalizado a possibilidade de ofensivas terrestres contra o narcotráfico na Venezuela, que deveriam começar “muito em breve”, embora sem detalhar como ocorreriam. Em uma conferência com militares, Trump declarou que, com a diminuição do tráfico de drogas por mar, os EUA passariam a impedir também o transporte por terra, que considerou “mais fácil”.

O presidente americano afirmou: “Alertamos eles a pararem de enviar veneno para o nosso país”. Segundo apuração do “New York Times”, Trump teria ligado para Maduro no fim de semana de 22 e 23 de novembro para discutir a possibilidade de um encontro, embora sem reunião marcada. A ligação teria ocorrido antes da decisão do Departamento de Estado de classificar o Cartel de los Soles como organização terrorista estrangeira.

Intensificação da Presença Militar Americana na Região

Desde agosto, as forças americanas têm intensificado suas ações no Mar do Caribe e no Oceano Pacífico, atacando 21 embarcações supostamente envolvidas no tráfico internacional de drogas, resultando em 83 mortes. O “New York Times” reporta que Trump tem diversas opções militares em estudo, incluindo ataques a autoridades venezuelanas e medidas para controlar o petróleo do país.

Paralelamente, a revista “The Atlantic” sugere que Maduro estaria aberto a negociar sua saída do poder em troca de anistia e garantias de segurança para o exílio, com a Rússia se mostrando disposta a ajudar a Venezuela. Os Estados Unidos, além de enviar navios de guerra e um submarino nuclear ao Caribe, deslocaram caças, bombardeiros e helicópteros para a região sul, reforçando bases militares e estruturas de cooperação em aeroportos de países parceiros, alguns localizados a menos de 100 km da Venezuela.

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